terça-feira, 30 de outubro de 2007

REFORMA JUDICIARIA


A segunda manifestaçao que vi de perto foi a de aproximadamente 250 advogados e juizes funcionarios do tribunal de grande instancia de Hazebrouck e outros que serao fechados, açoes previstas na reforma da carta judiciaria anunciada pela ministra da justica, Rachida Dati, que comecara a entrar em vigor progressivamente a partir de janeiro.

Somente no norte do pais serao quatro, alem de outros tribunais de instancia. O principal argumento e que eles nao julgam recursos suficientes e estao localizados entre dois grandes tribunais, no caso de Hazebrouck, entre Dunkerque e Lille. Os advogados clamam a justica de proximidade e, segundo eles, têm medo que essa sera somente a primeira açao para diminuir os serviços publicos de uma cidade de 22 mil habitantes, como ja aconteceu anteriormente.

Por outro lado, o governo argumenta que havera somente uma adaptaçao e nao o fechamento total do tribunal e que recursos nos quais se necessita presença de vitimas e testemunhas nao precisarao forçosamente que elas se desloquem ate os tribunais das cidades vizinhas.

O ministério adapta a politica proposta por Sarkozy em sua campanha: a de somente um tribunal de grande instancia por departamento, que previa numerosas supressoes. O setor publico, a exemplo da greve dos trens, parecem mesmo ser o principal embate que o presidente e seu governo enfrenta no momento.

Em um dia nublado, os advogados sairam da porta do tribunal e marcharam pelas ruas da cidade com cornetas e cartazes apos um discurso e distribuicao de folhetos. A palavra liquidaçao seguida pelo nome do tribunal era frequente.

JARDIM DE MONET


A greve de trem nao me impediu de realizar um sonho de infancia. Tudo culpa do livro Lineia nos Jardins de Monet e de um pintor que impressiona tanto pela historia de sua vida como telas, que sao carros chefes de um movimento revolucionario que se concentrou na Franca, mas se espalhou pelo mundo e foi composto de nomes como Van Gogh, Renoir, Manet e ate Picasso.

A 45 minutos de Paris, Vernon e a cidade mais proxima de Giverny, onde esta loalizada sua antiga casa e jardim, restaurados e mantidos ate hoje pela fundacao que leva seu nome. A cidade vale uma visita a parte pelo seu charme, pequenas ruas e catedral, cafes e canal com um pequeno castelo em suas margens. Elas tambem abrigam espaco para camping de trailers e diversos barcos de passeios que podem conter mesas de carteado e diversos outros passatempos.

Logo na saida da gare, vejo que Monet e realmente o maior chamariz da regiao na inscricao da placa de um bar, intitulado Monet e seus amigos. Apos 20 minutos em um onibus que leva diretamente aos museus de Giverny (sim, ha outros, como um de arte americana), chego ao parque municipal do vilarejo. Grande, tambem vale ser visitado com mais tempo, assim como as pequenas ruas nos arredores da casa do pintor. Sao casaroes tipicos do campo, feitos de pedras, onde e possivel visitar ateliers, floriculturas e pequenos restaurantes.

Finalmente, chego a casa rosa com janelas verdes e paredes todas floridas do vermelho do outono. A primeira coisa com a qual nos deparamos e o atelier, a grande loja com tdo o que se imaginar do pintor. Depois, aproveito o final da tarde para caminhar pelo gramde jardim. Apesar de muitas flores ja estarem morrendo com a chegada do inverno, quando o jardim fecha, ha muitas que resistem em bonitos arranjos.

Dividido em dois por uma passagem subterranea, ha uma parte sem agua, onde fica a casa, e outra com os lagos e a ponte japonesa. Ha pelo menos dois angulos que realmente impressionam, pela profundidade, composicao e cores, dignas de inspiracao para o antigo morador. Ninfeias, mesmo, nessa epoca, somente suas folhas.

A casa, por dentro, e interessante, pois e arrumada de acordo com a epoca e os gostos do pintor. Podemos comparar com grandes fotos antigas colocadas ao lado de cada um dos comodos. Monet adorava porcelanas e gravuras japonesas, que estao em quase todas as paredes. A sala e onde se concentram seus proprios quadros, expostos nos mais famosos museus e galerias do planeta, como o British Museum e D Orsay. O pintor adorava admirar diversos quadros em uma so parede. A vista do seu antigo quarto, no segundo andar, e maravilhosa. Os antigos moveis restaurados com belas pinturas e papeis de parede, sao outra atracao, bem como sua decoracao.
Nao fosse o barulho dos carros na movimentada rodovia bem ao lado de ambos os jardins, se poderia ter um bom gosto do significado desse lugar para o pintor apaixonado.

FERIAS

Essa semana e sinonimo de ferias escolares por aqui, para os grandes e pequenos. O ano escolar na Franca, como em todos os paises do hemisferio norte, comeca em setembro e possui ferias agora, em outubro; no final de dezembro, abril e em julho e agosto, as grandes ferias de verao.

Eu entrei nessa, logicamente. Isso e sinonimo de viagens e uma atualizacao mais lenta do blog. 

RESTAURANTE PARISIENSE


O meu primeiro contato com a mais famosa gastronomia do mundo na capital foi num simpatico restaurante nos arredores de Montmatre o bairro que abriga diversos artistas de rua e a catedral de Sacre Coeur, que possui uma vista panoramica de toda a cidade. 

Com decoracao moderninha, composta por uma foto de Paris e desenhos da propria dona do lugar e de seus filhos, alem de rosas, espelho cheio de luzes e cortinas vermelhas, ele, como todos que vi na regiao, e pequeno, mas aconchegante e lotado. 

Pedimos uma cerveja produzida artesanalmente em uma regiao do pais e, como entrada, pate e ras, com osso e tudo. 

Depois, uma bela massa com frutos do mar acompanhada com vinho tinto. Nunca achei essa mistura ideal, mas, ao contrario da entrada, foi bem mais apetitosa. 

Para finalizar, como cortesia da casa, cha, cachaca e um interminavel papo furado. 

domingo, 28 de outubro de 2007

A CAPITAL II


Estava com passagens de trem para Vernon, para ver o jardim de Monet em Giverny, em maos e acordei bem cedo para ir ate a Gare Saint Lazare, mas a greve anulou o trem. Apenas mudei de dia e vi os montes de adolescentes britanicos, pintados e com bandeiras, dormindo no chao com o gosto da derrota da noite anterior. Pensei que minha raiva nao era pior que a deles e me senti melhor.

Rumei direto para a Praca da Concordia. Com a luz ensolarada da manha de domingo batendo em sua fonte e o imponente obelisco, um presente pelos egipcios, poucos carros na rua e quase completamente sozinha nao fosse alguns turistas japoneses, percebi que qualquer tempo a mais que se perde em Paris vale a pena. 

Aproveitei e caminhei ate o Arco do Triunfo, onde vi as homenagens aos mortos na guerra, com flores e condecoracoes. No monumento, o nome das cidades francesas e de paises aliados que lutaram juntas. E, no chao, inscricoes lembram as diversas guerras que o pais ja enfrentou. 

Depoi, me perdi novamente pelas ruas ate a Torre Eiffel. Trombei com livros de arte pela metade do preco, vendidos na rua; pequenas e charmosas pracas, padarias e lojas luxuosas e muitos cachorros. Ate que cheguei em uma das regioes empresariais da cidade, com grandes predios comerciais e uma bela vista do monumento de uma ponte. 

Descansei da longa caminhada nos belos jardins na beira do Sena e vi gente do mundo inteiro na fila de 45 minutos para subir nos elevadores da torre. Nesses dois dias me deparei com muitos brasileiros, um deles, obra do destino, me pediram em portugues para tirar foto sem ao menos saberem que lingua eu falava. 

Fui ate o terceiro e ultimo andar. Pequeno, dele podemos ver os tracos da cidade com mais precisao, ha um mapa panoramicos que localiza monumentos e uma curiosa lista de distancia da torre com relacao a diversas capitais do mundo.

Depois,o extenso Campo de Marte logo em frente pediu para praticar uma pelouse, o habito de sentar ou deitar na grama, e comer salsicha com fritas. 

A saida da cidade, assim como a entrada, tambem foi dramatica. Para ir ate o norte tive que pegar um trem, ainda em greve. Para piorar, passei uma estacao e, ao voltar, ouvi que o metro estava atrasado porque havia uma pessoa na via. Fiquei uma hora para chegar na regiao norte e peguei o trem lotado e recheado de pessoas mal humoradas, assim como todas que encontrei ao comprar algo. 

Matei as saudades de Sao Paulo com mais beleza e cultura, e certo. Mas percebi que as metropoles parecem estar cada vez mais sufocadas. A tendencia e piorar?

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A CAPITAL I


Paris, como São Paulo, repele, mas envolve. A minha primeira impressão da cidade foi um grande engarrafamento devido a final da Copa do Mundo de Rugby, que este ano foi sediada na França, potencializado pela greve dos trens e outros meios de transportes publicos (ela durou quatro dias). Os ingleses, literalmente, invadiram a cidade. Em toda a rodovia so se via bandeiras inglesas, nada anormal vindo de um dos paises que mais adoram o esporte.

Entrei pelo norte da cidade e pude ter uma idéia dos bairros populares, com as feiras de rua na calçada com barracas parecidas com as dos camelôs paulistas. Em alguns, ha muitos roubos, drogas e prostituição, como Les Halles. Logo, vejo uma noiva entrar em um carro. Sim, estou mesmo em Paris.

O metrô intimida para quem anda nas quatro grandes linhas paulistas. Aqui, são vinte e duas e elas são completamente integradas com os trens. Neles, é bom ficar alerta com bolsas por causa dos roubos. Ha, logicamente, muitas estações que fazem a baldeação para diversas outras linhas e são um verdadeiro laibirinto de tuneis.

Somente relaxei quando cheguei a estação Notre Dame, no sul da cidade, onde estão concentrados os maiores monumentos. Nesse primeiro final de semana, preferi fazer o circuito classico, mas sempre caminhando e me perdendo pelas pequenas ruas, como os parisienses. Pude comprovar que essa marcha sem rumo esta inserida no cotidiano dos habitantes ao perguntar para uma francesa onde era o metrô mais proximo. A resposta: 'Não sei. Eu somente estou passeando'. Com um ar tranquilo como o do sabado de sol.

Mapa aqui é essencial, pois trombar um estrangeiro na rua que não sabe tanto quanto você ao pedir informação é altamente provavel. Principalmente perto dos grandes pontos turisticos. E ainda ouvir um nao apos perguntar se speak english, parle français ou hablas espanol.

Em Notre Dame, me deparei com os turistas japoneses que descarregam fotos em seus laptops até dentro da catedral, além das filas apenas para subir nas torres. Non, merci. E, apos admirar sua construção, esculturas e quadros continuei minha caminhada pelas margens do Sena até que cheguei na ilha no meio do rio, um poço de tranquilidade com um pequeno parque e uma bela vista da cidade. Todos adoram, num dia de sol, descansar, comer e conversar nesse e nos pequenos espaços ao lado das margens. E as pontes, com suas esculturas e luminarias, são uma beleza a parte que devem ser admiradas durante o dia, anoitecer e a noite.

E cheguei ao Museu do Louvre, uma construção cheia de detalhes e esculturas como Notre Dame devidamente fotografados. Vi sua pirâmide, bem em frente ao Parque Tuileries, que termina na avenida Champs-Elysées e merece um passeio despreocupado para ver suas esculturas e grandes jardins, comendo crepe e bebendo café.

Até que vi a Torre, do outro lado do Sena. Mas para isso, tive que me desviar dos beijos apaixonados de montes de casais que povoam a cidade. E um simbolo disforme se comparado a beleza classica da cidade, mas que impressiona por tudo que representa: a cidade e o pais.

A noite é realmente luminosa. Não ha como fugir do lugar comum da cidade das luzes. E; em um dia de sol, o céu esta ainda claro, sem nuvens e a lua aparece ja bem alta e cheia de luz. Ela pediu um passeio de Bateau Mouche, o famoso barco turistico de dois andares que faz um percurso de uma hora pelo Sena com um andar aquecido embaixo, todo fechado com vidros, e outro aberto em cima, onde se passa frio se não estamos devidamente preparados. Dele, vi a torre, brilhante e iluminada. Otima vista para terminar a noite.

Mas ela não havia terminado. Havia mais um engarrafamento cheio de motoristas estressados e que fazem verdadeiras loucuras no volante para se desviar dele até o norte da cidade.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

AHH...PARIS


A dor de cabeça me impede de escrever agora sobre a minha revisita à cidade apos quase dez anos, mas deixo registrada apenas uma citação que expressa o que senti:

'Te amo, capital infame!'

Assim como Baudelaire e os impressionistas.